fevereiro 28, 2004

Nevoeiro II

Quem não se lembra do post do dia 10.02.2004 sobre o nevoeiro???? Bem agora o nosso querido Diário do Alentejo vem publicar umas explicações sobre o nevoeiro, justificando assim se é o Alqueva que provoca todo este tempo.

"2004-02-27 10:26:03
Alqueva ainda não está a alterar o clima do Alentejo. E muito menos a prejudicar a qualidade das vinhas da região. Aliás, o bom vinho alentejano suportaria mais humidade.

"Não tenho qualquer indicação de que, no Alentejo, na área de implantação da vinha, tanto na zona de Reguengos como na de Vidigueira, limítrofes de Alqueva, os postos meteorológicos tenham revelado qualquer alteração climática em relação a anos anteriores. Aliás, nós estamos no Inverno e se não se formam nevoeiros agora, quando é que se formam?”. É desta forma que Joaquim Madeira, presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Alentejo e secretário-geral da Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo, comenta notícias de que a Barragem de Alqueva estaria a “mudar o clima alentejano”.
O semanário “Expresso” noticiou recentemente que “em todos os concelhos do Alentejo situados na área do regolfo da albufeira ou que com ela confinam, (...) desde há dois meses, os dias secos, frios e solarengos, característicos dessa época do ano, têm dado lugar a manhãs muito húmidas e à ocorrência de nevoeiros densos que só se dissipam por volta do meio-dia”. O mesmo artigo especulava depois sobre “o efeito que isso terá na agricultura, sobretudo na vinha”.
Joaquim Madeira sublinha que no Alentejo não há nevoeiros significativos no período de maturação da vinha, entre Maio e Agosto e considera que “se Alqueva vier a influenciar o clima será pela positiva, porque trará mais humidade”. Acrescenta que “para nós, o único e o grande problema que em alguns anos acontece na região é a falta de humidade, não o excesso. Se a humidade relativa subir cinco ou seis pontos percentuais, até dez, é favorável e não prejudicial. Desse ponto de vista, quem me dera que houvesse mais humidade. Deus nos mande muitos nevoeiros!”. E aponta o exemplo de Bordéus, no delta do Rio Gironde, “com humidade relativa elevada e influência atlântica plena”, ou de outras regiões, “desde a Califórnia ao Chile e à Argentina, onde se produzem alguns dos melhores vinhos mundiais e a humidade é superior à do Alentejo em cinco ou seis pontos percentuais”.
Então, porquê as notícias? “Talvez o sensacionalismo, a necessidade de vender notícias, ou talvez a vontade de que os vinhos do Alentejo percam qualidade, já que nós temos mais de 40 por cento do mercado nacional”, alvitra Joaquim Madeira.

Humidade e anticiclone
são causas dos nevoeiros

Sobre os nevoeiros do “Expresso”, também um porta-voz da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA), reage com humor à notícia e lembra que “no dia em que encerraram as comportas da Barragem de Alqueva, a 8 de Fevereiro de 2002, ainda não havia albufeira, esteve nevoeiro até ao meio-dia”.
Carlos Silva, contudo, diz não ser novidade que, segundo o estudo integrado de impacte ambiental da Barragem de Alqueva, são esperadas alterações a nível da temperatura e humidade. Assim, nas zonas servidas pelos perímetros de rega e junto à albufeira, haverá uma diminuição da temperatura máxima no Verão até 7º centígrados, a dois metros do solo, um aumento em 30% da humidade relativa e uma diminuição da amplitude térmica de 5º. Mas, acentua, “estes são considerados impactes positivos na amenização do clima da região”.
O “mistério” dos nevoeiros chegou igualmente a Espanha e o jornal “Hoy”, de Badajoz, face aos mexericos populares que atribuíam tal fenómeno atmosférico a Alqueva, ouviu o director do Centro Meteorológico da Extremadura. Adolfo Marroquín afastou a priori as “responsabilidades” da barragem alentejana, já que se registam neblinas em muitos outros pontos da Península Ibérica. “A presença de um anticiclone, coincidindo com um solo demasiado húmido pela grande quantidade de chuvas caídas desde Dezembro, fazem com que os nevoeiros sejam constantes de manhã”, explica o meteorologista, para quem “com anticiclone e humidade, é nevoeiro certo”.
Segundo o “Hoy”, o Centro Meteorológico da Extremadura leva a cabo medições de todo o tipo, incluindo do nevoeiro, desde há 130 anos. O objectivo é fazer deduções mais adiante e detectar possíveis modificações do clima nesta parte do Mundo. “Se virmos que dentro de algum tempo os nevoeiros persistem e desapareceram de outros lugares poderemos tirar diferentes conclusões, mas hoje por hoje são consequência da humidade que há no solo e da presença de um anticiclone”, garante Marroquín ao diário de Badajoz."

Texto Carlos Lopes Pereira

Eye

Publicado por Eye em fevereiro 28, 2004 08:38 PM
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